Danko Jones Wild Cat (2017) ou Se o Rock Morrer Vai Ser Gozando!

Danko Jones, power trio canadense chega ao seu 10º álbum de estúdio, com muito vigor gritando alto e claro: se o rock morrer vai ser gozando

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O power trio de hard rock canadense, Danko Jones, lançou seu 10º álbum de estúdio com o vigor que sempre estar presente em seus trabalhos e que parece, estar longe de arrefecer. O ano de 2017 tem sido de muitas perdas para o rock mundial, em pouco tempo perdemos o grande Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave) e recentemente Chester Bennigton (Limp Bizkit). Como sabemos grandes ídolos não podem ser substituídos, são perdas que se instauram definitivamente em nossa memória afetiva. Porém, alguns bons nomes estão sempre aí para levar a bandeira adiante e não deixar morrer a chama que nos anima. E certamente o Danko é um desses nomes a serem celebrados em vida!

Danko Jones (guitarras e vocal), John Calabrese (baixo) e Rich Knox (bateria), são três dos caras que melhor seguem com a bandeira do bom e velho rock’n roll. Wild Cat (2017) é prova definitiva disso, não que os caras precisassem provar mais nada. São 10 discos de inéditas e nenhum de seus discos até hoje, a quase duas décadas de atividades, decepcionou. Os caras simplesmente não se cansam de reafirmar a potência de velhas formas, de mostrar que o tempo continua exigindo força e expressão, e que o hard rock é o local de militância deles. Na real o disco saiu no dia 3 de março e por azar nosso não cruzamos com esse gato preto antes. Mas pouco importa, Wild Cat é mais um disco dessa galera que certamente continuará a tocar em nossa playlist por um bom tempo.

Contando com 11 faixas diretas e retas, sem firulas, sem baladas, apenas uma porrada atrás da outra com variação intensa de ritmos e riffs, como os caras vem fazendo desde My Love Is Bold (1999). E por falar em amor, esse é um disco de rock sobre mulheres e sobre como Danko Jones às venera. No inicio, rock and roll era uma gíria para o ato sexual, depois se transformando basicamente na trilha sonora, para o amor e a rebelião. As letras que falavam sobre a vida adolescente e sobre a quebra de costumes caros a sociedade, mas também sobre sexo. O trio canadense conseguiu a façanha de fazer um disco de rock sobre mulheres, sobre como nós às adoramos, sem cair na armadilha de ser meramente sexista.

O disco é um altar musical de adoração ao sexo feminino, com comentários sobre a dor que o amor pode causar, sobre o prazer do sexo, sobre a beleza e a altivez das mulheres. O hard rock de pegada oitentista é a formula sobre a qual os músicos não se cansam de demonstrar todo seu apego. Excelentes músicos por sinal, mas como em seus outros discos não espere encontrar aqui longos solos. Um deliciosa característica do grupo é a sua força e sua concisão, algo um tanto raro hoje em dia. Saca só a apresentação dos caras no festival Graspop, em junho na Bélgica:

Danko Jones é a prova de que você pode compor rock simples e ainda assim ser genial, utilizando seus dotes artísticos em favor da música. Nunca da masturbação virtuose de longos e fritantes solos, para os amiguinhos lhe chamarem de gênio. A simplicidade nas composições sempre foi a tônica dos caras, e isso os faz geniais. Não que seja fácil, aliás é exatamente a simplicidade, a objetividade e a força em compor canções que eles dominam, que demonstra o quão difícil é atuar dessa forma. 

O vocalista e guitarrista Danko Jones transmite – e isso é regra – uma alegria e uma força de expressão sempre contagiante ao longo das 11 faixas que compõe essa maravilha. A seção rítmica de John Calabrese e Rich Knox não fica por baixo, atuando de modo muito coeso fazendo uma cama de muito peso e variando os ritmos com a mesma intensidade. Sempre inspirados desde sempre em grandes bandas do gênero como AC/DC, Thin Lizzy e Motorhead.

Cheios de refrões ganchudos, todas as onze faixas tem potencial de single, mas os caras escolheram a segunda faixa “My Little RnR”, uma ode ás nossas musas inspiradoras. Aqui o vocalista canta todo o seu amor e admiração a sua “pequena rock and roll“, descrevendo as cenas onde ele a observa com aquele ar embasbacado (você já passou por isso). Ao mesmo tempo em que observa como os “outros” ficam também de queixo caído quando eles estão rolê.

Vejam o vídeo que os caras soltaram dessa faixa:

Já na faixa seguinte a variação sobre o tema toma lugar, “Going Out Tonight”, é o outro lado da moeda, numa pedrada pesada sobre o fim de um relacionamento. I’m sick of love/ I wanna get away from here/ I’m sick of pain/ I’ve had my share of blood and tears. E é de conhecimento comum que nessas horas o lance é ir pra night como se não houvesse amanhã e afogar as mágoas em litros e mais litros de álcool.

O disco segue nessa toada até o fim e quando acaba faz você querer mais, assim como acontece ao fim daquela excelente transa, com aquela gata que você curte. O Danko Jones é uma banda pouco escutada e divulgada no Brasil, esse disco ao que parece passou batido por muita gente. Mas certamente uma vez escutado é paixão a primeira audição, se você curte rock’ roll.

Em um ano de perdas como esse, o trio canadense segue gritando em alto e bom som seu amor pelo rock, aliás, eles vão além e renomeiam o amor = RnR. Resta-nos aumentar o som e comemorar junto aos nossos amores pois o rock não morre, mas se por um caso vier a óbito, será gozando. Ou seja, deixará seus filhos em gestação, como sempre aconteceu na história desse gênero musical.

 

Sobre o Autor

Danilo

Bodyboarder de alma, pandeirista de ocasião. Pagodeiro nas horas loucas. Quer apenas poder dormir em paz nos ônibus e acredita que os fones de ouvido são fundamentais para a criação de uma nova religião capaz de acabar com o mal no mundo. Vive de Boas...

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