Confira a entrevista que fizemos com Diego Dill da Rosa Idiota

O guitarrista Diego Dill falou com o Oganpazan sobre a Rosa Idiota, banda que em poucos meses conquistou seu lugar na cena rocker soteropolitana.

 

Confesso, quando Rodrigo Gagliano enviou o link de uma banda chamada Rosa Idiota inbox no facebook tive uma reação preconceituosa. Julguei se tratar de uma banda teen, vejam só! Algo cujo som refletisse esse nome, que me pareceu bastante infantil, beirando a imaturidade. Fiquei ainda mais desconcertado quando botei Circle, álbum de estréia da banda pra rolar. Isso porque os sons superaram todas as minhas expectativas geradas pelo nome. Havia um contraste pesado entre o som do nome da banda e a música feita por seus integrantes.

Leva um tempo para o ouvido conseguir assimilar um novo som e assim nos dar condições de avaliá-lo. Passado o tempo necessário para a maturação, percebe-se que o incomodo inicial gerado pelo contraste de sons, era uma dissonância, aquele som que parece fora do lugar, mas foi colocado ali intencionalmente, para gerar um determinado efeito sobre quem o escuta.

A conversa abaixo procura explorar as entrelinhas da sonoridade da banda, cujos efeitos já recaem sobre o ouvinte através da pronúncia de seu nome. A estranheza causada pelo som do nome envolve sorrateiramente e quando menos se espera o play já fora apertado. Diego Dill, tal qual Ariadne no mito grego, nos dá o fio a nos guiar pelo labirinto da Rosa Idiota. Siga o fio, mas assuma o risco de não saber se ao final haverá ou não o minotauro à sua espera. 

OGANPAZAN: Quando e como surgiu a ideia de criar a banda?

DIEGO DILL: Pelo que lembro, não foi nada muito diferente do comum quando surge uma banda. Alguém tem uma ideia de fazer um som e procura pessoas com interesses em comum. Eu acho que conversei com Marcelo numa partida de futsal sobre montarmos uma banda. Sempre tive vontade de tocar com ele. Logo depois Fabiano e Rodrigo foram escalados pra formar o time.

OGANPAZAN: Existe alguma intenção por trás da escolha do nome Rosa Idiota? Quer dizer, o nome foi criado visando transmitir alguma ideia ou mensagem?

DIEGO DILL: Nome de banda é uma coisa horrível de escolher. É como as pessoas vão lembrar e se referir sempre. Tínhamos umas 100 sugestões de nomes e Rosa Idiota foi o que causou a sensação mais estranha e legal na gente internamente. É um nome que faz as pessoas pensarem e deixa esse ar de dúvida se existe alguma profundidade por trás do nome. Pode ter ou não, melhor deixar aberto dessa forma. Há quem deteste, mas a coisa mais sensacional desse nome é que é super fácil de ser indexado nos sites de busca (risos).

OGANPAZAN: Faz pouco tempo que lançaram seu primeiro álbum, Circle, cuja sonoridade revela forte ligação com o rock´n roll dos anos 90. Certamente as influências que levaram à construção da sonoridade da banda não se restringem a esta década. Por isso gostaríamos que falassem um pouco sobre as principais influências que levaram à criação do som da Rosa Idiota.

DIEGO DILL: Foi um tanto audacioso começar uma banda e em pouco tempo já estrear gravando um album cheio. No início de uma banda é difícil de se alcançar uma sonoridade que remete à própria identidade. Acho que dá pra sentir isso no disco, tem climas diferentes entre as músicas e no decorrer do álbum inteiro.  Por isso é um pouco difícil dizer que essa ou aquela banda influenciou diretamente no som que tentamos fazer. Ouvimos de tudo e seguramente não só bandas noventistas nortearam os climas do Circle. Mas se for pra eleger umas 5 bandas que são referência e unanimidade dentro da banda são: Hüsker Dü, Garage Fuzz, Hot Water Music, Bad Religion e Fugazi.

OGANPAZAN: Alguns integrantes da Rosa Idiota fazem parte de outras bandas. Nesse sentido, gostaríamos de saber se a banda é um projeto de curta duração ou se a ideia ao formá-la era tocar o barco adiante?

DIEGO DILL: Independente de termos outros projetos, chega uma fase da vida que a gente não quer se dedicar a nada se não for pra se entregar de verdade. A proposta da banda é ser uma banda de fato. Queremos fazer mais discos, tocar no máximo de lugares que forem possíveis e tentar ter uma caminhada sólida mesmo com as dificuldades que uma cidade como Salvador apresenta para uma banda fora do cenário musical de massa. Sobre os outros projetos, Marcelo tem a Aphorism, que é uma banda séria e muito boa, Rodrigo tem a excelente Ivan Motosserra, muito promissora, Fabiano atualmente só está tocando na Rosa, eu e Rodrigo tocamos na Derrube o Muro que está passando por um momento meio incerto.

OGANPAZAN: Por quê escolheram o nome Circle para o álbum? Para os filósofos gregos, encantados com a precisão da matemática, o círculo representava a perfeição, a harmonia, simbolizando a busca humana pelo aperfeiçoamento. O título do álbum tem algum referencial semiótico?

DIEGO DILL: Eu sou de exatas rs. Além dessa, existe outra possível interpretação que é mais prática e intuitiva. Na vida geralmente tendemos a andar em círculos, repetindo padrões o tempo inteiro, apesar de nossa trajetória de vida é ser linear. Um círculo passa a noção de equilíbrio e simetria, algo que muitas vezes nos falta. Tem também uma referência que algumas pessoas vão pegar, a frase “(…) trust in me, throw myself into your door / well i go in circles running down.”

OGANPAZAN: Falem um pouco sobre os temas abordados pelas letras de vocês. Ao que parece o interesse é falar sobre experiências vividas embaladas pelo rock.

DIEGO DILL: Não existe uma regra sobre a temática das letras, como também não existe uma regra sobre a língua, já que há uma letra em português no meio de 8 em inglês. Eventualmente pode até rolar uma letra mais politizada. Mas no geral são coisas mais pessoais. Falar de coisas reais para pessoas reais. A tentativa é não ser piegas, nem forçado e que antes de tudo, reflita o momento.

OGANPAZAN: A Rosa Idiota é uma banda recente, que em tão pouco tempo conseguiu gravar e lançar um álbum e de quebra um videoclipe. O que permitiu fazerem tanto em tão pouco tempo?

DIEGO DILL: Acho que o principal combustível é um pouco da frustração pela própria dificuldade que se apresenta a uma banda de rock no Brasil, especialmente no Nordeste. Essa frustração tem que ser transformada de alguma forma em solução para os problemas e força de vontade. Quando você acredita muito no que faz, não é garantido, mas fica bem mais fácil de outras pessoas acreditarem também. Gabriel Zander, Leo Vilas e Felipe Franca são parte fundamental nisso tudo. Claro que fizemos as coisas que fizemos porque tivemos condições pra fazê-lo, afinal, não é toda banda que consegue viajar pra outro estado pra gravar um disco, mas a mensagem que tem que ficar é que não importa se você não tem grana pra gravar no melhor estúdio, ou produzir o melhor clipe, a melhor arte gráfica. Essas coisas agregam muito valor sim, mas o principal sempre será o conteúdo, a banda, as músicas. Faça o melhor que puder com o que tem, sempre pensando em melhorar. Deixar de fazer por esperar as condições ideais é perder oportunidades.

OGANPAZAN: Dia 24 de março vocês farão o lançamento do Circle no Rango Vegan, Pelourinho. Qual a expectativa para o lançamento do álbum físico e o que nós, que compareceremos ao lançamento, podemos esperar?

DIEGO DILL: A expectativa é que seja um grande sucesso, que quem vá se divirta, com total satisfação por ter ido e que vá de novo no próximo show. Além de nós, teremos um belíssimo show da banda MAPA, que é uma banda bem legal e com uma proposta diferente do que se vê por aí geralmente. Cheguem cedo pra ver. O que vocês podem esperar, é que o evento dê certo, que os shows sejam bacanas, que os lanches da Rango Vegan estejam gostosos como sempre e que a volta pra casa seja tranquila, pois o show termina às 22:00.

OGANPAZAN: Quais os planos para a Rosa Idiota daqui para frente?

DIEGO DILL: Planos concretos, por enquanto, apenas ensaiar bastante, tocar mais, compor músicas novas e lançar algo esse ano de novo. Sobre planos que precisam ser melhor planejados, tem  tour, clipe novo, vamos vendo o que rola.  

Rosa Idiota é:

Voz e guitarra: Marcelo Adam

Guitarra e Voz: Diego Dill

Baixo: Fabiano Passos

Bateria: Rodrigo Gagliano

 

Rosa Idiota pela net:

Facebook- https://www.facebook.com/rosaidiotaof…

Bandcamp - http://bit.ly/2j3SDGK

Deezer - http://bit.ly/2iplkwL

Spotify - http://bit.ly/2jfY3gO

Youtube - https://www.youtube.com/channel/UCdmGpxyeaywMWjiAOq5oaPg

Rosa Idiota

Sobre o Autor

Carlim

Jornalista musical instantâneo, saxofonista entre quatro paredes, híbrido de mineiro e baiano, ex-ateu, devoto ardoroso de São Victor do Horto e fanático religioso da Igreja Universal do Reino do Galo,

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