Aprendeae Papá – Entrevista Com Dinho Brown

Aprendeae papá é uma expressão que resume muito bem tudo que podemos apreender dessa conversa com Dinho Brown, um grande artista de Ilhéus!!

 

 

Dinho Brown é um daqueles artistas maravilhosos que estão espalhados abaixo do radar mainstream, não por optarem pelo underground, mas por fazerem música de forma independente sem se renderem a padrões em voga. Hoje como sempre, a industria cultural absorve apenas o que já foi indubitavelmente consagrado ou os produtos pré elaborados pra estourar, aqueles que buscam o sucesso efêmero. Esse mano caminha certamente por outros sentidos no que diz respeito a sua arte. Um artesão munido com o seu modesto homestudio, fabricando sua música como um ourives, buscando conhecimento na tradição que abraçou: a Black Music.

Polivalente, capaz de caminhar do soul mais legitimo ao reggae com a mesma desenvoltura e qualidade. Depois de escutar o seu single Aprendeae Papá, recentemente lançado, e que conta com a participação de Jeff do OQuadro, corremos pra procurar saber mais sobre esse rapaz. Descobrimos o disco Mandando Bem lançado neste ano, e que infelizmente não tinha chegado antes em nossos ouvidos. Piramos e fomos atras dele pra saber um pouco mais e batermos um papo sobre sua formação musical, influências, trabalhos e novos planos, acompanhe abaixo como foi essa troca de ideias. 

Oganpazan – Dinho, conta pra gente como você começou na música, quais foram os seus primeiros passos?

Aos 7 anos iniciei no movimento afro, no bloco afro Os Gangas já desativado, maestro da banda juvenil em seguida fundando o Zambi Axé onde era diretor geral e de percussão. O nome Dinho Brown surgiu nessa época fazendo uma alusão ao Carlinhos Brown e a minha criatividade relacionada ao ritmo percussivo. Desafiado pelo instrumentista Coco Bahia a cantar numa roda de samba vim a descobrir o dom da voz e a facilidade com a afinação, daí surgiu o convite para ser vocalista do grupo Magia do Samba pelo mesmo, essa banda foi a porta para vários outros trabalhos com bandas…

Oganpazan – Quais as maiores influências que você tem e traz na sua carreira?

Como todo artista que nasce no movimento afro a paixão pela música negra é intensa e a sede de conhecer é grande. Dessa forma fui bebendo de tudo que me atraía, instintivamente a voz e musicalidade do Stevie Wonder era o top das preferências. O soul, meu estilo preferido, aflora um sentimento especial pela música do Cassiano, o r&b dos Boyz II MenBrian McknightLuther VanDross a voz preferida. No reggae minha maior referência, sem dúvida é o Bob Marley e as melodias cativantes do UB40, as rimas jamaicanas do Damian Marley, o flow do rap francês Redzone, do gospel do Kirk Franklin, do smooth jazz do Joe, o Neo Soul do Raphael SaadiqSoulchild. Enfim são múltiplas influencias todas dentro do contexto da música negra…

Oganpazan – Qual sua primeira lembrança musical e como foi sua formação?

O que ficou muito fortemente marcado foi a maneira como fui iniciado, inusitadamente meu primeiro show foi uma pegadinha. Amigos chegaram na minha casa e me pediram pra que eu vestisse uma roupa bacana para fazer um samba. Só não me contaram que era o meu primeiro show, “esse samba” era nada mais nada menos do que a abertura do Carnaval de Ilhéus de 1996, sem ensaio ou experiência fui lançado num palco assustadoramente grandioso! Graças a jah tudo deu certo e ali depois do susto percebi q era o meu lugar. Totalmente auto didata e fominha pelo conhecimento musical estudei técnica vocal sozinho, pratiquei o violão para compor, mas n me considero instrumentista.

Oganpazan – Como anda a cena musical em Ilhéus?

Ilhéus, essa cidade linda onde nasci e amo, necessita de uma cena musical, facilitando a atuação dos artistas locais nos pontos de cultura públicos. São poucas as casas para apresentações e uma grande demanda de profissionais. Creio que a maravilha turística que é Ilhéus, demanda uma força cultural mais atuante, receptiva, estruturada e acolhedora. Para corresponder a grande quantidade de turistas, gerando assim um ciclo produtivo. Num contexto geral, produtores de eventos e mídia deveriam assimilar ”seus” artistas com mais orgulho, para que eles sejam referências locais, dando oportunidade nos eventos e executando os trabalhos nas ferramentas de mídia de forma inclusiva e igualitária. Ilhéus precisa consagrar uma representatividade nativa, pois num ponto de vista mais amplo a cena musical ilheense transborda talento e quem perde é quem fecha os olhos! Temos público, espaço, comércio, mídia e muita cultura, nossa cidade é um celeiro de artistas excelentes! Artistas esses que de certa forma estão sendo ás vezes invisibilizados, dado seus talentos.

dinho-brown-mandando-bemOganpazan – Você tem um disco lançado, como foi a recepção desse trabalho? Como foi a produção dele?

Mandando Bem, foi o cd que nós lançamos em julho deste ano, composto por 8 faixas inéditas e dois remix com musicas autorais. Com exceção da faixa Boas Águas que é uma bela poesia da Elizandra Souza, e algumas canções que foram de certa forma banalizadas por bandas em que trabalhei em momentos anteriores ao meu solo. O disco foi muito bem recebido pelo publico de forma geral, e surpreendeu o público ilheense, pela carência de compositores. Assim como pela versatilidade que fica bem clara nesse álbum onde eu trafego por vários gêneros da música negra.

A produção desse álbum durou seis meses pois as canções já estavam prontas, sendo  que algumas eu mesmo pré produzi. Contei também com o Lukas Hórus na produção, dono do selo LH Records. Um sócio e parceiro que me ajudou na construção do Mandando Bem (2016) um disco construído a quatro mãos. Todas as vozes do álbum são minhas, incluindo aí os arranjos dos backing vocals.

Oganpazan – Vejo que você tem uma forte influência do Soul nesse primeiro trabalho, mas recentemente você lançou um single com participação do Jeff (OQuadro) onde você foge um pouco dessa linha. Como é esse trânsito entre estilos diferentes?

Minha paixão pelo soul, devo confessar vem do grande mestre Cassiano, que eu amo rs, rs, rs. Mas como militante do movimento afro, amo todas as vertentes da música negra. Costumo dizer que desenvolvi aquilo que Deus me deu: uma boa voz e uma boa sensibilidade perceptiva. Junto ao do dom das palavras que me fez um poeta da vida, creio eu q a música tem uma linguagem especifica para tocar sentimentos diferentes! Deus me abençoou com essa capacidade de navegar nessa vastidão que é a música negra, aliando ao processo de análise q faço ao ouvir cada estilo.

A música Aprendeae papá part Jef OQuadro traz a tona essa característica nossa de liberdade musical. Pois a ideia é fazer música boa e essa faixa foi feita em tempo recorde. Em duas horas eu produzi o arranjo e minha parte de escrita, Jef fez a parte dele em uma e meia já dentro do Studio enquanto eu gravava as vozes. Em seguida o Jef gravou e deixamos a mix master nas mãos hábeis do talentoso Hórus. Transitar na música negra é como escolher a ferramenta certa para atingir sentimentos específicos e pessoas. E eu acho que isso é maravilhoso e mágico!

Oganpazan – Quais são os novos trabalhos que você esta preparado pra gente, Dinho?

Estamos trabalhando num projeto onde vamos fundir nossas varias influencias da música negra e onde a base e o foco será o reggae. Aprendeae Papá já é um single deste novo trabalho. E neste novo projeto, o álbum contará com 8 faixas autorais e 2 do disco anterior fechando um set de reggae  onde cada faixa contará com um toque de Black.

Também homenagearemos o saudoso Reizinho,  grande artista ilheense, com um arranjo novo e ousado para uma de suas músicas! Pretendemos concluir esse álbum ainda no mês de dezembro, o álbum Reggae Music vem para trazer um novo conceito de sonoridade e textura do reggae e adicionar novas características. Fazendo uso de vários discurso que vão das falas de amor até os protestos e as críticas sociais.

Oganpazan – Que massa Dinho ficaremos no aguardo. Então, meu mano, se tem alguma pergunta que não fizemos e você gostaria de responder, manda bala, o espaço é seu. 

Vocês não perguntaram mas… Gostaria de dizer que estamos eu e minha banda, composta por um time seleto, prontos para shows e eventos. Nosso repertório possui 2 hrs de duração com muita música autoral, vários estilos de música negra e muita energia positiva, temperada com uma musicalidade de muito bom gosto. E estamos sempre dispostos a levar nossa arte com muito carinho para as pessoas! Nosso contato é o 073 99199 4039 .

Agradeço de todo coração ao amigo e repórter Danilo Cruz e ao Oganpazan pelo carinho e tempo dedicado a essa matéria. Forte abraço a todos envolvidos nesse trabalho e ao público do Oganpazan.

Curta o disco Mandando Bem do Dinho Brown pelo Soundcloud:

Sobre o Autor

Danilo

Bodyboarder de alma, pandeirista de ocasião. Pagodeiro nas horas loucas. Quer apenas poder dormir em paz nos ônibus e acredita que os fones de ouvido são fundamentais para a criação de uma nova religião capaz de acabar com o mal no mundo. Vive de Boas...

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